Estadão: “O individualismo das novas gerações apaga a luta das pessoas com deficiência”

 


NOTA: Este meu artigo foi publicado no Estadão, 25 de dezembro de 2020, blog Vencer Limites, do jornalista Luiz Alexandre SouzaVentura, pelo qual fico muito grato! O #blogVencerLimites publica até o dia 31 de dezembro uma série de artigos exclusivos, escritos por convidados, sobre as expectativas para o ano de 2021. 

OS ESSENCIALISTAS E OS EXISTENCIALISTAS NA INCLUSÃO

 


Uma pergunta recorrente em minhas palestras é se as coisas melhoraram da época de quando eu era menino para cá.

As pessoas com deficiência ficaram por muito tempo escondidas da sociedade. Nos anos 1990 surgiria o conceito de Inclusão Social, uma grande revolução que abriu as portas de muitas casas de PcD, lançando-as pelas ruas rumo às infinitas possibilidades, atingindo campos e posições até então imagináveis à nossa classe.

O PSICÓLOGO E O DESAFIO DE INCLUIR

 


Como eu disse na crônica anterior, creio que a primeira grande mudança precisa ser nos bancos acadêmicos. Defendo para essas disciplinas o título Psicologia e Pessoas com Deficiência.  É necessário desenvolver uma nova mentalidade em estimular uma linha de trabalho, no qual o papel do psicólogo seja intervir na busca da superação das limitações.

Para os psicólogos já formados os desafios também são muitos. Temos mais de 46 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência no país. Precisamos gerar psicólogos mais preparados para atendê-las em suas necessidades específicas e, em muitos casos, psicólogos para serem o elo dessa inclusão social, mediadores entre o real e o ideal.

Considerando o grande número de pessoas, hoje em qualquer lugar que um psicólogo for atuar, deparará com esse público: se for para área organizacional, as empresas devem ter uma cota mínima dessas pessoas contratadas; no setor educacional está sendo discutido, implementado e garantido, a inclusão escolar; no setor hospitalar, elas ficam doentes como as demais; na clínica, mesmo se o psicólogo não atender diretamente essas pessoas, atenderá seus parentes.

Na inclusão, as iniciativas são da sociedade. E a Psicologia tem muito a colaborar nesse processo, onde a sociedade se adapta para poder incluir em seu contexto as pessoas com deficiência. Mas, por outro lado, essas mesmas pessoas precisam ser preparadas para assumir seus papéis na sociedade, o que abre várias possibilidades de atuações psicológicas.

Será uma forma de parceria entre toda a sociedade, visando equacionar problemas, decidindo sobre soluções, efetuando equiparações de oportunidades para todos. Estaremos, assim, realmente criando no relacionamento prático entre a Psicologia e pessoas com deficiência, na busca do ser humano por de trás da pessoa com qualquer tipo de limitação: suas reais necessidades, interações sociais, educacionais, relacionamentos familiares e afetivos, necessidades de atividades profissionais e, sobretudo, suas verdadeiras potencialidades a serem estimuladas de forma individual e coletiva.

Publicado 30/10/2020