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Psicologia e Inclusão: Participação Política e Social das Pessoas com Deficiência

Publicado Pela Revista Escola Particular, ano 18, número 211, outubro de 2015.



Novos Desafios Para a Psicologia

Publicado na Revista Psique – Ciência e Vida – Número 117 – 2015.








Uma Análise Dos Programas De Psicologia Do Excepcional Nos Cursos De Graduação

NOTA: Artigo inédito, escrito em 2007, resumo da monografia UMA ANÁLISE DOS PROGRAMAS DE PSICOLOGIA DO EXCEPCIONAL NOS CURSOS DE GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA NO BRASIL, apresentada por Emílio Figueira à Universidade do Sagrado Coração – USC/Bauru, como requesito parcial para obtenção do título de Bacharel em Psicologia, sob a orientação do Prof. Dr. Rinaldo Correr

 RESUMO: Questionando a formação acadêmica de psicólogos, esta pesquisa analisou especificamente os Conteúdos Programáticos das Disciplinas “Psicologia do Excepcional” e/ou correlatas de 25 universidades brasileiras. Fez uma revisão de literatura histórica da relação psicologia e pessoas com deficiência e suas questões atuais. Como bases teóricas e metodológicas utilizou-se da dialética, Psicologia Sócio-Histórica, pesquisa qualitativa, análise de conteúdo.  Nos resultados e discussões focou cinco categorias: títulos/identificação das disciplinas, ementas, objetivos gerais e específicos, conteúdos ministrados, bibliografias utilizadas nessas disciplinas. Como conclusão, ficou notório que as disciplinas “Psicologia de Excepcional” e/ou correlatas não estão se atualizando frente aos desafios que psicólogos possam vir a ter diante dessa clientela formada por quase 15 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência. Parece permanecer em uma condição “fossilizada”, sem rupturas. Essa expressão de uma atividade formativa reacionária, está em conflito com as dimensões atuais em que a formação do psicólogo deve estar voltada para a realidade que se transforma ininterruptamente.

PALAVRAS-CHAVES: Formação de Psicólogo, Psicologia de Excepcional, Conteúdos Programáticos, Pessoas com deficiência


Curso Psicologia e Inclusão

Apostila completa do curso ministrado por Emílio Figueira de 2014. Para baixá-la clique aqui

A “Psicologia do Excepcional” na História da Psicologia Brasileira

A deficiência, no Brasil, foi tratada ao longo da história, pela perspectiva religiosa, assistencial ou médica. A compreensão dessa história não pode ser dissociada dos processos de exclusão social. Começando pela política de exclusão dos primitivos indígenas, passando pelo assistencialismo dos jesuítas, a violência da escravidão, o pensamento médico no Brasil, a concepção de deficiência e as práticas a ela relacionadas foram construídas, ao longo de nossa história, como questões relativas aos ambientes hospitalares e assistenciais.

Outros fatores também reforçaram essa cultura. Em terras brasileiras, principalmente no final do século XIX e nas primeiras décadas do século XX, foi bem considerável o número de médicos que pesquisaram, escreveram e publicaram trabalhos científicos sobre pessoas com deficiências, sobretudo, as mentais, preocupados com a aprendizagem dessas crianças: “O despertar dos médicos nesse campo educacional pode ser interpretado como procura de respostas ao desafio apresentado pelos casos mais graves, resistentes ao tratamento exclusivamente terapêutico, quer no atendimento clínico particular, quer no, muitas vezes, encontro doloroso de crianças misturadas às diversas anomalias nos locais que abrigavam todo tipo de doença, inclusive os loucos.” (JANNUZZI, 2006, p. 31)

Psicologia e Inclusão: Participação Política e Social das Pessoas com Deficiência


Publicado Pela Revista Escola Particular, ano 18, número 211, outubro de 2015.


Lev Vygotsky e as Bases Psicológicas Para Inclusão Escolar

Publicado pela Revista Escola Particular, ano 20, número 234, setembro de 2017.



Pessoas Com Deficiência E Os Novos Desafios Para A Psicologia

Nas últimas décadas a sociedade brasileira viu crescer o conceito de inclusão das pessoas com deficiência. Ações ganharam forças em todos os segmentos e isto também trouxe questionamentos sobre o papel dos psicólogos diante do novo cenário

Aqui no Brasil, o interesse da Psicologia pelas questões das pessoas com deficiência, também faz nascer a expressão “excepcional”, por uma necessidade de classificação. Essa história começa com a vinda da psicóloga russa Helena Antipoff para o Brasil na década de 30

A relação científica entre Psicologia e deficiência ganhou força com as instalações dos cursos de graduação. Regulamentada em 1962, através da Lei 4.119 de 27/08/62, no ano seguinte, foi elaborado o primeiro currículo oficial do curso, fixado pelo Conselho Federal de Educação

Se não avançarmos além das intenções classificatórias e conceituais da deficiência, no que tange à formação do psicólogo, não conseguiremos construir um espaço para a interdisciplinaridade. A intervenção psicológica ainda se concentra no diagnóstico e na classificação

Dificuldade De Aprendizagem: O Que É, Como E Porque Ocorre E A Colaboração Dos Testes Psicológicos Em Seu Diagnóstico

Introdução

Fazendo uma rápida revisão histórica, notaremos que por um tempo excessivamente longo, crianças com dificuldade de aprendizagem foram encaminhadas a médicos, cujo diagnóstico isolado, ansiosamente aguardado pela família e pela escola, iria confirmar ou negar a sua normalidade. Se algo fora da normalidade era detectado, certamente a criança era encaminhada para classes ou escolas especiais que ofereciam um ensino diferenciado. Surgiam os estigmas sob elas que passavam a fazer parte de um segmento social marginalizado, como seres incapazes de criar e produzir conhecimento. Negavam-lhes as oportunidades de ampliação de suas potencialidades. Ainda hoje qualquer desvio do padrão de comportamento, principalmente na escola, a primeira hipótese de explicação ainda faz referência a um possível problema mental. Como se fossem sujeitos dotados só de cabeça, sem corpo, emoção e sentimento, distante dos padrões de competência, vítima de um julgamento equivocado e parcial.

As Pessoas Com Deficiência E Os Relacionamentos Virtuais Rumo Aos Amores Reais

Publicado em 20/05/2010

Falar sobre questões que envolvem pessoas com deficiência sempre foi um desafio, esbarrando em áreas científicas, educacionais, éticas e culturais. Quando o assunto é amor então, entraremos também no campo da estética e das vaidades humanas. Fato é que desde 1981 (Ano Internacional da Pessoa Deficiente, quando se iniciou um movimento político, gerando inúmeras conquistas positivas), já conseguimos espaço em setores como educação, mercado de trabalho, eliminação de barreiras arquitetônicas, dentre outras. Mas com relação a relacionamento, amor e namoro parece existir uma barreira invisível e intransponível. Ainda mais numa cultura imposta pela mídia, propagando um único modelo de beleza, um culto ao corpo perfeito.

Segundo dados do IBGE, observa-se que entre as pessoas com percepção de incapacidade há uma alta incidência entre os que nunca formalizaram uma união (3,1%), enquanto que entre os que casaram no civil e no religioso essa taxa é de 2,7%. São resultados que acabam refletindo a maior dificuldade dessas pessoas de estabelecerem laços matrimoniais e de constituírem família quando comparados às pessoas com deficiência em geral.

Pessoas Com Deficiência e Suas Necessidades Vitais: Orientações Sentimentais, Amor e Sexo

Publicado em 04/05/2010

Até os 13 ou 14 anos, a criança com deficiência certamente terá uma vida normalizada, com brincadeiras e tudo que sua infância poderá lhe oferecer. Mesmo porque, ela não ligará se algum amigo lhe fizer uma piada, chamar-lhe de nomes pejorativos (aleijadinho, ceguinho, etc.) e brincará, mesmo se for do seu jeito. Ela tem quem pense, cuide e se responsabilize por si. Nunca é demais lembrar um pouco da Psicologia do Desenvolvimento. Na adolescência ocorrem as modificações fisiológicas, o amadurecimento sexual, transformações corporais, tanto no moço, quanto na moça. As funções afetivas voltam a preponderar mais ativamente numa construção de identidade que passa a ocupar o primeiro plano. Surgem as ambivalências de atitudes nas experiências e necessidades novas, embora ainda confusas; desejos de posse, atração pelo sexo oposto, procurando um ideal para completar a sua pessoa. Conhece novas formas de amar e desejar alguém além dos laços familiares. Necessidades de conquistas, aventuras, independência, ultrapassar a vida cotidiana, surpreender-se, unir-se a outros jovens com os mesmos ideais. Ter amigos para suas confidências, enquanto cartas de amor em seu caderno misturam-se com as lições escolares.

As Pessoas Com Deficiência E As Intervenções Clínicas do Psicólogo

Publicado em 22/03/2010

Ao se trabalhar clinicamente com uma pessoa com deficiência, a construção da relação psicoterapeuta e pessoa deverá ser o alcance para os resultados satisfatórios apoiados em duas condições básicas fundamentais: a compreensão das vicissitudes causadas pela deficiência no desenvolvimento, ajustamento da pessoa e a atitude do profissional de psicologia. Para que o paciente atinja a chamada aceitação efetiva, muitas vezes, enquanto psicólogos, precisaremos “chegar” aos seus conteúdos inconscientes que geram sofrimentos oriundos de sua deficiência, causando empecilhos para aceitação e acolhimento de seu real estado. E, para se dar tal acolhimento, precisará haver no paciente disponibilidade interna para equacionar limites e possibilidades, perdas e virtualidades.

Nesse universo, a transcendência deve significar a superação dos próprios limites impostos pela deficiência, ou seja, enquanto profissionais, devemos atuar na estimulação e amenização das deficiências secundárias da pessoa, suas dificuldades, expectativas sociais e implicações emocionais. Quanto mais a pessoa se aproximar de sua própria realidade, eliminando mecanismo de defesa ou negação, mais seu plano de consciência lhe permitirá ser um cidadão equilibrado e “pronto” para continuar vivendo no meio que a cerca. Por meio dessa normalização, ela terá oportunidades e direitos iguais, riscos iguais, responsabilidades iguais, alegrias, angústias e inquietações como qualquer outra pessoa.

Aspectos Psicológicos, Intervenções Clínicas, Dificuldades e Possibilidades Profissionais

Publicado em 23/04/2010

Embora minha intenção seja abordar neste capítulo pontos, comportamentos e aspectos psicológicos de quem nasce ou adquire algum tipo de deficiência ao longo da vida, é preciso acentuar, logo de início, o grande erro em pensar na existência de técnicas especiais para atendimento psicológico de pessoas com deficiência. O que podemos dizer é que, dependendo da deficiência, poderá haver peculiaridades relacionadas à sua condição orgânica e, sendo congênita, física ou intelectual, ter implicações no desenvolvimento ou ajustamento da criança que, segundo Amiralian (1997, p. 35), “já ao nascer, apresenta uma condição orgânica diferente e que, portanto, vai constituir-se como pessoa a partir de uma estrutura orgânica peculiar. Enquanto psicólogos dispostos a atuar nesta área, é fundamental o conhecimento das implicações geradas pela perda orgânica para a dinâmica de personalidade e ajustamento pessoal e social daqueles que, por diferentes razões, vieram adquirir uma deficiência. Esses conhecimentos pressupõem a compreensão das limitações fundamentais impostas pelas deficiências e a compreensão das limitações das condições afetivo-emocionais que as acompanham”.

Reabilitação Baseada na Comunidade como Alternativa

Publicado em 22/03/2010

No Brasil, muitas das pessoas com deficiência (na maioria crianças) ao ir para os centros de reabilitação, deixam seus lugares de origem – favelas, cortiços, a região nordestina, etc. – para ser reabilitadas. Após esse período, ao ter alta do centro, voltam para o lugar de onde saíram. Isto nem sempre é muito bom, uma vez em que elas estão voltando para um lugar que não lhe oferecerá a vida para qual foram preparada no centro. Ali terá a mesma vida precária de antes. São problemas que já não dizem mais respeito ao centro de reabilitação, que nada pode fazer para dar-lhe uma vida mais digna. Isto é gerado pelo problema sociocultural do país.

Apesar desses problemas que apontamos (pois não poderíamos deixá-los ocultos), muitos centros e profissionais, que somam muita garra, boa vontade e até momentos heroicos, têm prestado serviços relevantes. O trabalho desses profissionais é, muitas vezes, gratificante e satisfatório, pois ninguém melhor do que eles para conhecer uma criança ou pessoa com alguma deficiência. Nunca veem nelas, um ser lesado em seu desenvolvimento, e sim, um ser que possui vida, individualidade e potencialidade.

Atuação do Psicólogo em Centros ou Programas de Reabilitação

Publicado em 25/02/2010

Dias após dias, meses após meses e anos após anos, as mães chegam às escolas e centros especializados em reabilitação, trazendo nos braços uma criança com alguma necessidade especial ou deficiência. Uma criança com paralisia infantil, paralisia cerebral, deformidades congênitas, distrofia muscular progressiva, problemas ósseos como a osteoporose (e outros menos comuns), deficiências intelectuais, visuais, auditivas e tantas outras menos conhecidas.

Algumas crianças com pouca idade (de 0 a 5 anos), outras já crescidas (10 a 12 anos), cheias de esperança de um dia melhorar e vir ser alguém. Dentre os casos, nem tanto a criança, mas muitos pais se revoltam nos instantes iniciais ao saberem que a caminhada será penosa, e outros já bem machucados são pais separados por terem filhos com algum tipo de deficiência. E, finalmente, o grupo de pais que não esgotam as forças e dão novos impulsos, a fim de conseguir algo a mais que pudesse tornar os filhos felizes, seguros e conscientes de suas deficiências, tornando-os cidadãos úteis à sua família e à sociedade.

Prevenções e Intervenções do Psicólogo Junto às Pessoas com Deficiência

Publicado em 22/03/2010

Muito mais que as paredes de nossos consultórios, tantos outros horizontes abrem-se para o psicólogo, ampliando nosso campo de atuação, lançando-nos às novas possibilidades.

Uma vez que a principal meta da Psicologia é promover a saúde mental da população em geral, a prevenção deve ser uma área cada vez mais valorizada. As normas sobre Equiparação de Oportunidades para Pessoas com Deficiência, das Nações Unidas (ONU), adotadas por sua Assembleia Geral em 20 de dezembro de 1993 (resolução 48/49) diz:

“A palavra prevenção significa ação destinada a impedir a ocorrência de impedimentos físicos, intelectuais, psiquiátricos ou sensoriais (prevenção primária) ou a evitar que os impedimentos causem uma deficiência ou limitação funcional permanente (prevenção secundária). A prevenção pode incluir muitos tipos diferentes de ação, tais como atenção primária de saúde, atenção pré-natal e pós-natal, educação em nutrição, campanhas de imunização contra doenças transmissíveis, medidas para controlar doenças endêmicas, regulamentações de segurança, programas para prevenção de acidentes em diversos ambientes, incluindo adaptações de locais de trabalho para evitar deficiências e doenças ocupacionais, bem como prevenção de deficiência resultante de poluição ambiental ou conflito armado”.

A Classificação Internacional de Funcionalidade como uma Nova Visão das Pessoas com Deficiência

Publicado em 10/02/2010

Poucos sabem da existência da “Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde” – CIF, documento desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), com um novo enfoque positivo da deficiência. Descrevendo a funcionalidade e a incapacidade relacionadas às condições de saúde, ressalta o que uma pessoa “pode ou não pode fazer na sua vida diária”, tendo em vista as funções dos órgãos ou sistemas e estruturas do corpo.

A ONU, numa primeira tentativa de conhecer mais sobre as consequências das deficiências, havia publicado em 1976, a “International Classification of Impairment, Disabilities and Handicaps”, traduzida para o português como ”Classificação Internacional das Deficiências, Incapacidades e Desvantagens” (handicap), a CIDID. Em seu marco conceitual, impairment (deficiência) era descrita como as anormalidades nos órgãos e sistemas e nas estruturas do corpo; disability (incapacidade) era caracterizada como as consequências da deficiência do ponto de vista do rendimento e desempenho das atividades; handicap (desvantagem) refletia a adaptação do indivíduo ao meio ambiente resultante da deficiência e incapacidade. Descrevia, como uma sequência linear, as condições decorrentes da doença: Doença = Deficiência = Incapacidade = Desvantagem. Nesse antigo documento, uma de suas principais fragilidades era a falta de relação entre as dimensões que a compõe, a não abordagem de aspectos sociais e ambientais, entre outras.

Psicologia e Pessoas com Deficiência: Uma Área Carente de Pesquisas de Campo

Publicado em 08/02/2010

Se eu quisesse escrever algo como “O que são pessoas com deficiência?”, certamente isso daria vários artigos descrevendo cada tipo, suas causas, incidências, graus, enfim. Hoje no Brasil temos centenas de livros e outras publicações que falam sobre isto. Todavia, traçando um rápido perfil de quem são as consideradas pessoas com deficiência, essas descrições são regulamentadas pelo Decreto 5296 de 2 de dezembro de 2004 que regulamenta as Leis n° 10.048, de 8 de novembro de 2000, que dá prioridade de atendimento às pessoas que especifica, e nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade. No Capítulo II – Do Atendimento Prioritário – Art. 5º, § 1o, considera-se, para os efeitos desse Decreto, pessoa portadora de deficiência, a que possui limitação ou incapacidade para o desempenho de atividade e se enquadra nas seguintes categorias:

“Psicologia e Pessoas com Deficiência” como Substituta da Expressão “Psicologia do Excepcional”

Publicado em 24/01/2010

Uma questão que alguém pode levantar: Por que defendo o título “Psicologia e Pessoas com Deficiência” e não “Psicologia das Pessoas com Deficiência”? Para chegar à resposta, faço uma revisão histórica.

Infelizmente, muitos termos ainda são utilizados de forma discriminatória: aleijados, chumbados, mutilados, paralíticos, paralisados, defeituosos, inválidos, incapacitados, mongóis, mongoloides, retardados, surdos-mudos, mudinhos, anormais, débil, inválidos, ceguinhos e tantos outros, sem qualquer tipo de preocupação com o seu emprego ortográfico ou, em conversas cotidianas, retratando conceitos que reforçam preconceitos, gerando os estereótipos.

Um dos termos mais usados, ainda de forma discriminatória, é o verbete “excepcional”. Ele surgiu na década de 1960 por iniciativa da psicóloga Helena Antipoff (1892-1974), quando crianças eram, até então, rotuladas com termos pejorativos como anormais, retardadas, insuficientes, revoltadas, dando ideia de algo definitivo, irremediável, sem solução, como se nada pudesse ser feito por elas – afinal, a partir do pressuposto biológico, essas crianças já nasceriam com tais características.

O Ensino Da “Psicologia E Deficiência” Nas Faculdades Brasileiras

Publicado em 28/01/2010

Em 2006, em minha pesquisa de Bacharelado intitulada “Uma análise dos programas de Psicologia do Excepcional nos cursos de graduação em Psicologia no Brasil” (orientada pelo Professor Doutor Rinaldo Correr na USC/Bauru), analisei a Formação do Psicólogo no que se refere a orientação dos planos de ensino, de forma particular, as várias esferas do planejamento que se encontram expressos nos documentos oficiais das disciplinas “Psicologia do Excepcional” ou outras denominações correlatas nos cursos de Psicologia que se dispuseram a participar deste estudo.

Nessa pesquisa qualitativa, contando com 25 documentos como objeto de análise, foram focadas cinco categorias. Na primeira focamos os nomes das disciplinas, semestres e anos em que são oferecidas e suas cargas horárias, percebendo que mais da metade (57%) ainda mantém o título “Psicologia do Excepcional”, são predominantes no 5º. e 6º. semestres e a carga horária básica desses cursos é de 60 horas aulas. Uma das primeiras indagações que fazemos, é por que a maioria desses cursos insiste em manter o título “Psicologia do Excepcional”? Não parece, mas por trás de palavras como essa podem estar verdadeiras armadilhas que, mesmo sem sabermos, podem reforçar preconceitos e estereótipos. A abordagem e a terminologia utilizada, ao mesmo tempo refletem a influem na interpretação da sociedade sobre os principais temas de interesse coletivo, acaba reforçando estigmas e posturas preconceituosas transmitidas culturalmente, que podem significar, no mínimo, um empecilho à evolução e ao desenvolvimento social.