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Jornal O Dia: Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual


Artigo publicado no Jornal O Dia – Coluna Opinião – 25/08/2018
Foi instituída o ano passado pela Lei 13.585 de 26 de dezembro de 2017, a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, sempre entre os dias 21 a 28 de agosto. Durante esses dias, a Federação Nacional das Apaes (Fenapaes), abre debates para a reflexão da igualdade e inclusão social. O objetivo é sensibilizar governos e comunidades em relação às potencialidades das pessoas com deficiência e chamar a atenção para as suas necessidades, através de ações específicas.


Este ano o tema é “Família e pessoa com deficiência, protagonistas na implementação das políticas públicas”, reafirmando no contexto desse Movimento, a importância da participação da família, em todos os processos de vida se seus filhos. seja educacional, de desenvolvimento, de habilitação e reabilitação, e demais projetos como na gestão das Apaes.
A Fenapaes convoca todas as Apaes e entidades filiadas a realizem ações de incentivo em seus municípios e estados e convida toda a sociedade a participarem dessa grande mobilização. E já que o tema deste ano é a Família, nada melhor do que refletirmos sobre isto.É de fundamental importância que a família esteja engajada diretamente neste projeto de reabilitação e/ou de Escola Inclusiva. Não podemos esquecer inicialmente que o nascimento de uma criança com algum tipo de deficiência já traz várias reações e sentimentos à família e uma desorganização emocional, a qual só reencontrará o equilíbrio com a aceitação do fato. Quanto maior for essa aceitação maior será o envolvimento no processo terapêutico e educacional da criança. Papéis que pais, familiares e professores desempenham no desenvolvimento e educação da criança são próximos e complementares e podem proporcionar à criança melhores oportunidades no desenvolvimento de suas capacidades, seja qual for a sua limitação.
Posso propor a esses familiares, que uma das primeiras formas para realizar isto pode participando de reuniões da equipe escolar para planejar, adaptar o currículo e compartilhar sucessos. Ser incorporados pela escola como parceiros de planos da equipe, participando de todos os aspectos operacionais da escola. Estar nas atividades extracurriculares e terem acesso a treinamentos relevantes.
A escola desenvolver informações sobre os serviços de apoio à família, pois nesta interação escola/família, a Inclusão Escolar obterá muito mais êxitos educacionais e em campanhas como a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla.

Edição impressa do O DIA no domingo
Emílio Figueira, psicólogo, autor do livro “Psicologia e Inclusão – Intervenções psicológicas  em pessoas com deficiência” (Wak Editora)

Destaque na Primeira Página do Portal Terra!

Matéria publicada em 08 de agosto de 2018.





O Globo: Escritor e educador paulistano com paralisia cerebral, após lançar 74 livros, diz ainda ter muitos planos e objetivos


Perto dos 50 anos de idade, Emílio Figueira é dono de números impressionantes: três graduações, cinco pós, dois doutorados, obras variadas e artigos científicos publicados no Brasil e exterior, história contada agora em um livro com distribuição gratuita 

Matéria de O Globo – 08/08/2018
Atingindo cerca de 150 mil brasileiros todos os anos, segundo dados do Hospital Israelita A. Einstein, a paralisia cerebral é uma lesão que pode ocorrer por falta oxigênio no cérebro do bebê durante a gestação, no parto ou até dois anos após o nascimento. Sua principal característica é a espasticidade, um desequilíbrio na contenção muscular que causa tensão e inclui dificuldades de força, equilíbrio, comprometimento da coordenação motora e problemas na fala.

Ter uma lesão cerebral não significa, necessariamente, ser acometido de danos intelectuais, como é o caso do escritor a educador Emílio Figueira, cuja parte de suas obras, artigos e materiais sobre Inclusão estão disponíveis gratuitamente em seu site www.emiliofigueira.com
“Ao adquiri paralisia cerebral no final dos anos 60, para grande parte das pessoas que me conheciam, eu já estava com o meu destino traçado. Ser dependente das outras pessoas, isolado dentro das instituições. Ainda mais naquela época onde nós, pessoas com deficiência, vivíamos totalmente excluídos”, comenta o autor que decidiu por um caminho oposto.
História contada no vídeo biográfico “Emílio Figueira, Uma Vida Com Muitos Caminhos“, disponível no youtube.
Em uma época em que nem se falava de inclusão e os preconceitos eram muito mais latentes, Figueira nunca se deixou abater por sua deficiência motora com sérias sequelas na fala e movimentos do corpo, vivendo intensamente inúmeras possibilidade nas artes, no jornalismo, na ciência e na literatura.
Aos 16 anos publicou seu primeiro livro com 56 poesias românticas. Já escreveu mais de 150 livros, sendo 74 já publicados e 40 originais foram queimados por considerá-los apenas um exercício de estilo e ritmo de escrita, conta o escritor sorrindo, afirmando que agora pretende se dedicar mais ao ofício da ficção.
Como dramaturgo, escreve peças para o teatro, roteiros para cinema e televisão. Sempre fez inúmeros cursos de artes plásticas, literatura e música, história da arte e história da música além de pintar alguns quadros e acumula dezenove prêmios.
CONFISSÕES DE UM BOM MALANDRO
Envolvido em pesquisas e redação de 98 artigos científicos, é autor de uma variada obra de livros impressos e digitais, cuja construção dessa trajetória ele conta agora no livro “Confissões De Um Bom Malandro” com distribuição gratuita da versão digital disponível em http://emiliofigueira.com/emilio-figueira-lanca-suas-memorias-em-versao-gratuita/
“Escrever essas memórias mexeu muito comigo. Resolvi correr atrás dos meus sonhos de infância que é chegar a ser publicado por uma grande editora e escrever como colunista ou blogueiro de um grande órgão de comunicação”, revela o escritor.
Com graduações em jornalismo, psicologia e teologia, cinco pós e dois doutorados, Figueira é professor e conferencista de pós-graduação em temas que envolvem Psicologia e Educação Inclusiva, criando um treinamento online para professores, onde sozinho ajudou a formar mais de 22 mil professores no Brasil e exterior, sendo grande parte da região norte e nordeste. Além de viajar por todo o país ministrando palestras, escreveu mais de 25 livros e artigos sobre o assunto.
“Gosto de fazer pirraça para os meus pensamentos limitantes. Sempre que eles dizem que não sou capaz de fazer algo, vou lá e faço, mesmo que não seja exatamente como as demais pessoas, mas faço de meu jeito”, diz Emílio com o sorriso de alguém que têm muitas histórias para contar e ainda muitos objetivos que pretende realizar, principalmente na literatura, no teatro e no cinema.

Portugal: Escritor e cientista brasileiro com paralisia cerebral publicou 74 livros


Por ZAP – Portugal – 15 de julho de 2018
O escritor e cientista Emílio Figueira já publicou mais de 70 livros. Uma quantidade impressionante, especialmente para alguém com paralisia cerebral, causada por uma asfixia durante o parto.
Há muitos mitos sobre a paralisia cerebral. Um deles, talvez o mais difundido, é o déficit de habilidades intelectuais, uma vez que nem todas as pessoas com paralisia cerebral apresentam deficiência intelectual. É o caso de Emílio Figueira, que publicou mais livros do que a maioria das pessoas sem essa condição.
O escritor publicou o seu primeiro livro – uma compilação de 56 poesias românticas – aos 16 anos. Desde então, apesar das suas limitações motoras, escreveu 150 livros, mas nem todos foram publicados. O escritor publicou “apenas” 74 livros e queimou 40, por considerá-los apenas um exercício de estilo e ritmo de escrita.

Como dramaturgo, escreve peças para teatro, roteiros para cinema e televisão.Sempre muito curioso, inquieto, apaixonado por coisas novas, Emílio Figueira frequenta cursos e workshops de artes plásticas, música e história da arte, além de pintar quadros e coleccionar prémios.
É mais fácil entender a vasta obra do escritor espreitando a formação de Emílio Figueira. Tem licenciaturas em Jornalismo, Psicologia e Teologiadois doutoramentos e outros cursos de pós-graduação.
Emílio Figueira é professor e conferencista de pós-graduação em temas que atravessam a Psicologia e a Educação Inclusiva, oferecendo treinos online para professores. O cientista ajudou a formar 22 mil professores no Brasil e no estrangeiro, a maioria dos quais das regiões Norte e Nordeste do país.
“Gosto de questionar os meus pensamentos limitantes. Sempre que dizem que não sou capaz de fazer algo, vou lá e faço, mesmo que não seja exactamente como as demais pessoas o fariam, mas faço à minha maneira”, conta o escritor, com o sorriso de alguém que ainda tem muitos objectivos a alcançar.
Emílio Figueira narra a sua história no livro Confissões de Um Bom Malandro, que está  disponível gratuitamente na versão digital.
// Ciberia / RPA

Portal Terra: Escritor e cientista brasileiro com paralisia cerebral publicou 74 livros


Por Redação do RAZÕES PARA ACREDITAR 13/07/2018
O escritor e cientista Emílio Figueira já publicou mais de 70 livros. Uma quantidade impressionante de livros, ainda mais para alguém que tem paralisia cerebral, causada por uma asfixia durante o parto.
Existem muitos mitos sobre a paralisia cerebral. Um deles, talvez o mais difundido, é o déficit de habilidades intelectuais. Quer dizer, nem toda pessoa com paralisia cerebral tem deficiência intelectual. É o caso de Emílio, que publicou mais livros do que pessoas sem essa condição…

Emílio publicou seu primeiro livro – um compilado de 56 poesias românticas – quando tinha 16 anos. De lá para cá, apesar de suas limitações motoras, ele escreveu 150 livros, porém nem todos foram publicados. O escritor publicou “apenas” 74 livros e queimou 40, por considerá-los apenas um exercício de estilo e ritmo de escrita.
Como dramaturgo, ele escreve peças para o teatro, roteiros para cinema e televisão. Sempre muito curioso, inquieto, apaixonado por coisas novas, Emílio frequenta cursos e oficinas de artes plásticas, música, história da arte, além de pintar quadros e colecionar prêmios.
É mais fácil de entender essa obra vasta espiando a formação que Emílio ostenta. Ele possui graduações em Jornalismo, Psicologia e Teologia, mais dois doutorados e outros cursos de pós-graduação.
Emílio é professor e conferencista de pós-graduação em temas que atravessam a Psicologia e a Educação Inclusiva, oferecendo treinamentos online para professores. O cientista ajudou a formar 22 mil professores no Brasil e no exterior – a maioria deles das regiões Norte e Nordeste do país.
“Gosto de fazer pirraça para os meus pensamentos limitantes. Sempre que eles dizem que não sou capaz de fazer algo, vou lá e faço, mesmo que não seja exatamente como as demais pessoas, mas faço do meu jeito”, contou Emílio com o sorriso de alguém que ainda tem muitos objetivos para alcançar.
Quer saber mais sobre a trajetória inspiradora do escritor e cientista? Emílio narra tudinho no livro ‘Confissões de Um Bom Malandro’, que tem distribuição gratuita na versão digital, aqui.
Enquanto você baixa o livro, dá o play no vídeo:

Emílio Figueira e sua trajetória de superação


Texto: Luis Nassif, em 26/06/2018
Foto: Giselle Bohnen
Jornal GGN – A paralisia cerebral chega a atingir cerca de 150 mil brasileiros todos os anos, segundo um levantamento do Hospital Israelita A. Einstein.  Foi no final dos anos 60, quando nasceu, que Emílio Figueira se viu frente à deficiência motora, que apesar da complexidade não foi capaz de limitar sua vida e a escrita.
Hoje, aos 50 anos, Figueira acaba de lançar “Confissões De Um Bom Malandro”, uma obra sobre sua trajetória e que está disponível na versão digital gratuitamente, em seu site. Essa é mais uma publicação, entre os 74 títulos assinados pelo cientista.

“Ao adquiri paralisia cerebral no final dos anos 1960, para grande parte das pessoas que me conheciam e para minha família eu já estava com o meu destino traçado. Ser dependente das outras pessoas, isolado dentro das instituições. Ainda mais naquela época onde nós, pessoas com deficiência, vivíamos totalmente excluídos”, comentou o autor que decidiu por um caminho oposto.
Mesmo em uma época que a inclusão não era pautada e os preconceitos eram muito mais latentes, Figueira viveu inúmeras possibilidades nas artes e conta com graduações em jornalismo, psicologia e teologia, além de dois títulos de Doutor, com 98 artigos científicos publicados. “Figueira é uma pessoa que vem construindo uma trajetória totalmente improvável pela realidade que a vida tentou lhe impor”, disse o crítico literário Rubens Castro.
Atualmente, Emílio Figueira também é professor e conferencista de pós-graduação em temas que envolvem Psicologia e Educação Inclusiva, criando um treinamento online para professores, onde já ajudou a formar 22 mil profissionais da área no Brasil, sendo grande parte da região norte e nordeste.
“Gosto de fazer pirraça para os meus pensamentos limitantes. Sempre que eles dizem que não sou capaz de fazer algo, vou lá e faço, mesmo que não seja exatamente como as demais pessoas, mas faço de meu jeito”, completou Figueira.

REVISTA VEJA: A Educação Inclusiva cresce no país e blog distribui materiais gratuitamente


Otimista com o processo da Educação Inclusiva, o especialista na área e educador Emílio Figueira fala sobre o desenvolvimento e formação de professores na contribuição de uma educação para todos
Matéria publicada no site da Veja Educação em outubro de 2018
Dados da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), mostram que no mundo, as pessoas com deficiência estão entre os grupos de maior risco de exclusão escolar. Segundo o último Censo Populacional (IBGE, 2010), o Brasil têm 45,6 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, o que representa 23,9% da população.

A maioria das crianças e adolescentes com deficiência já estuda em escolas regulares. É um número expressivo, mas que ainda gera muitas expectativas e desafios quando o assunto é Educação Inclusiva.
“Sou bastante otimista com relação à ela. Fico muito bravo quando alguém diz que nada mudou com relação às pessoas com deficiência. Mudou sim, e para melhor”, diz professor e psicólogo educacional Emílio Figueira, que disponibiliza vários materiais gratuitos em seu portal www.emiliofigueira.com
“Claro, muita coisa precisa ser melhorada, aperfeiçoada. Temos relatos de casos que deram errados. Mas também temos muitos relatos de sucesso. Tudo é uma questão de processo. E processos precisam respeitar etapas. Assim como as questões que envolvem pessoas com deficiência são culturais, precisam de tempo para mudanças de mentalidades!”, conclui o educador que trabalhou essa temática recentemente em seu romance “Flores Entre Rochas – Quando a Educação Se Faz Pelo Amor!”
Considerado uma referência em Educação Inclusiva no país, Figueira é autor de livros como “O que é Educação Inclusiva”, “Conversando sobre educação inclusiva com a família”, “A deficiência dialogando com a arte”, “Psicologia e pessoas com deficiência”, “Caminhando em silêncio: uma introdução à trajetória das pessoas com deficiência na história do Brasil”, dentre outros, muitos com distribuição gratuita, confira aqui
Para Figueira, sendo “um processo em que se amplia a participação de todos os estudantes nos estabelecimentos de ensino regular, a Educação Inclusiva é uma reestruturação da cultura, da prática e das políticas vivenciadas nas escolas de modo que estas respondam à diversidade de alunos. É uma abordagem humanística, democrática, que percebe o sujeito e suas singularidades, tendo como objetivos o crescimento, a satisfação pessoal e a inserção social de todos”.

Experiência sentida na pele

Sua história é um misto de experiências próprias e atividades profissionais em prol de pessoas com deficiência. Figueira nasceu com uma deficiência motora, paralisia cerebral, que compromete a fala e movimentos.
Muito cedo nos anos 1970 foi para a Associação de Assistência à Criança Deficiente-AACD numa época onde a reabilitação ainda estava no início no Brasil. E isto fez toda a diferença em sua vida. Foram nove anos de muitas terapias e estímulos que renderam a sua autonomia. Graças ao tratamento e motivação que recebeu na AACD, mesmo tendo muitas coisas contra como uma sociedade ainda segregadora, optou por  estudar.
Foi jornalista em vários meios de comunicação nos anos 1980 e 1990. Formou-se em psicologia e em teologia, fazendo em seguida cinco pós-graduações e um doutorado em psicanálise e outro em teologia,  exerce várias atividades, tem 74 livros e 98 artigos científicos publicados no Brasil e exterior, textos montados no teatro.
Em uma entrevista exclusiva, o professor observou: “A Educação Inclusiva atenta a diversidade inerente à espécie humana, busca perceber e atender as necessidades educativas especiais de todos os sujeitos-alunos, em salas de aulas comuns, em um sistema regular de ensino, de forma a promover a aprendizagem e o desenvolvimento pessoal de todos. Uma prática pedagógica coletiva, multifacetada, dinâmica e flexível requer mudanças significativas na estrutura e no funcionamento das escolas, na formação humana dos professores e nas relações família-escola, resultando em uma força transformadora, apontando para uma sociedade inclusiva”.

“A Educação Inclusiva e o grande desafio pedagógico do século XXI”, diz o psicólogo Emílio Figueira


SÃO PAULO – A Educação Inclusiva é um dos temas mais abordados no momento. Esta semana, o psicólogo, educador e escritor Emílio Figueira recebeu a nossa reportagem para uma entrevista exclusiva. Figueira tem como pensamento central sobre Educação Inclusiva o seguinte conceito: “Incluir não tem segredo. Basta receber um aluno, seja ele quem for. Acolher com amor, ter a sensibilidade de perceber e pesquisar o que ele realmente precisa de apoio para se desenvolver em todos os sentidos. Um bom professor precisa ser um suporte seguro que lança seus alunos rumo às infinitas possibilidades”.
O educador foi até recentemente responsável por um treinamento online para professores, onde sozinho ajudou a formar mais de 22 mil professores no Brasil e exterior, sendo grande parte da região norte e nordeste, como ele gosta de destacar. Além de viajar por todo o país ministrando palestras, já escreveu mais de 25 livros e centenas de artigos sobre o assunto. Confira alguns trechos da entrevista:
O GLOBO: Como o conceito de Educação Inclusiva vem sendo construído?
FIGUEIRA: Gosto de explicar da seguinte forma. Durante séculos pessoas com deficiência foram excluídas condas do convívio social. Nos anos 1970 e 1980 nós pessoas com deficiência colocamos a cara na rua para lutar por nossos direitos e espaço na sociedade. Surgiria o conceito de Integração Social, onde entidades e instituições preparavam essas pessoas para serem integradas entre as pessoas sem deficiência aparentes, principalmente no mercado de trabalho. Nos anos 1990 surgiria o conceito de Inclusão Social. Essa é uma história que não cabe aqui. Mas o fato é a Inclusão foi uma grande revolução que abriu as portas de muitas casas de pessoas com deficiência, lançando-as pelas ruas rumo às infinitas possibilidades, atingindo campos e posições até então imagináveis a nossa classe. Essa revolução continua em plena ebulição e ninguém mais se arrisca em duvidar ou limitar pessoas com qualquer tipo de deficiência.
O GLOBO: Você acredita que o Brasil tem avançado na inclusão qualificada dos alunos com algum tipo de deficiência?
FIGUEIRA: Completando minha resposta anterior, no ano de 1994, surgiu a “Declaração de Salamanca – Princípios, Políticas e Práticas em Educação Especial”, proclamada na Conferência Mundial de Educação Especial sobre Necessidades Educacionais Especiais. Esse documento reafirmou o compromisso para com a “Educação para Todos”, reconhecendo a necessidade de providenciar educação para pessoas com necessidades educacionais especiais dentro do sistema regular de ensino. Por este motivo, cada vez mais vemos crianças e pessoas com deficiência em nossas escolas, nos espaços de lazeres e em todos os lugares da vida diária. Devemos estar preparados para essa convivência, aceitando as diferenças e a individualidade de cada pessoa, uma vez que o conceito de inclusão mantém este lema: Todas as pessoas têm o mesmo valor.
Pelo o que já vivi nessas últimas cinco décadas, eu fico muito bravo quando alguém vem com o velho discurso pessimista que nada mudou. Claro, ainda temos muito que aprender e avançar em termos de Educação Inclusiva. Mas essa é uma construção que está nas mãos de todos nós.
O GLOBO: Como favorecer ambientes de aprendizagem na prática inclusiva?
FIGUEIRA: Esse é um ponto que tenho abordado muito em meus escritos e palestras. Ainda há muito da cultura paternalista de esperar que tudo venha de cima, já pronto tanto no sentido de leis como de investimentos e recursos, e com a Educação Inclusiva não tem diferente. Noto nesse comportamento e discursos de várias pessoas e professores é que falar em Inclusão Escolar ainda se esbarra em questões culturais e/ou até mesmo um comodismo para não sair da zona de conforto. É comuns os professores dizer que não estão preparados para receberem alunos com deficiência. Não há uma maldade nisto, mas sim certo estado de ansiedade e em muitos, mesmo que seja de forma inconsciente, um mecanismo de defesa contra algo desconhecido.
O GLOBO: Precisamos também de uma mudança cultural?
FIGUEIRA: Isso. Infelizmente para o a maioria dos professores, assim como para grande parte da população, ainda há àqueles velhos conceitos e culturais referentes às pessoas com deficiência, tais como associadas ao estado de doença, que não se desenvolveram ou aprendem como as demais. Mas ora, o desenvolvimento e a aprendizagem humana é individual e ninguém tem um modelo a seguir. De fato, nenhum professor estará preparado para trabalhar com a Inclusão Escolar até momento que chegue à sua turma um aluno a ser incluído. Uma situação que ele nunca vivenciou – o que muitas vezes exige conhecimento de experiências anteriores. Será neste momento que veremos realmente quem é o educador de verdade. O acomodado alegará não estar preparado – pois rejeitar um aluno com essa alegação será muito mais fácil e rápido se livrar da questão. Mas o verdadeiro professor, consciente de seu compromisso e desafio ético de educar a todos que pertencerem ao seu alunado, primeiro o receberá, o que já será o início da inclusão pela afetividade. Ela se constrói pela convivência. E o professor disposto a isto, recebe o aluno em fase de inclusão com o mesmo carinho que recebe os demais. E depois buscará formas de trabalhar com ele.
O GLOBO: Um dos principais questionamentos dos professores é de que muitas vezes não há nenhuma iniciativa da escola em preparar o profissional para receber alunos com deficiência, tão pouco um plano pedagógico e estrutura física que contemplem às necessidades dos estudantes. Como proceder nesses casos?
FIGUEIRA: Continuando o que comecei a responder acima, afetividade também significa sair da zona de conforto em busca de querer aprender cada vez mais dentro de sua profissão. O professor, educador, pedagogo, enfim, deve ser um eterno estudioso. Ler muito, buscar cursos de formação ou aperfeiçoamento. E isso é algo que nós psicólogos precisamos reforçar em nosso trabalho dentro de uma Equipe Escolar. Assim como qualquer outro profissional, antigamente se fazia quatro aos de uma faculdade e, em cima desses quatro anos, construía-se toda uma carreira até se aposentar. Mas hoje, com um mundo tão dinâmico e em constantes transformações, precisamos estar sempre descobrindo e aprendendo mais. E com a Educação Inclusiva não teve ser diferente.
Este é o principal conceito que quero precisamos destacar aos docentes: O professor precisa criar e manter o hábito de pesquisar!
O GLOBO: E ao receber um aluno inclusivo, como o professor deve proceder?
FIGUEIRA: Quando um professor receber alunos inclusivos, primeiro o acolha em sua sala e comece a conviver com eles, criando laços, descobrindo um ao outro, professor e aluno, o que já será uma pesquisa de campo. Paralelamente, vá ler sobre as deficiências e reais necessidades de cada aluno inclusivo, procurar orientações de práticas pedagógicas para se trabalhar com eles e toda a turma. Possibilidades são muitas. E as informações nunca estiveram tão disponíveis como antes. E de graça. Além das publicações que devem ter na biblioteca de sua escola, basta o professor entrar no Google e achará muito material seguro, no Youtube há milhares de vídeos sobre Educação Inclusiva, práticas pedagógicas inclusivas, casos específicos, por exemplo. E professor seguro ama o que faz alimentado por gestos de afetividade, atingindo resultados imagináveis!
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FONTE: O GLOBO – Matéria publicada no Caderno de Educação, agosto de 2018