A Violência Contra Mulheres Com Deficiência No Brasil!

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que violência cometida contra pessoas com deficiência em certos países, atingem 25% dessa população com maus tratos e abusos. E praticadas contra crianças e idosos com deficiência é mais comum e mais intensa, principalmente se a deficiência for intelectual.

Entre mulheres com deficiência são maiores casos de violência passiva, por negligência na recusa de dar a alimentação e medicamentos apropriados, na ausência de cuidados pessoais e de higiene, deixar de seguir as prescrições médicas, excesso de medicamentos e reclusão de cuidados.

Os maus tratos de ordem física, tratamento grosseiro. Os maus tratos psicológicos por excessos verbais, intimidação, isolamento social, privações emocionais, impedir a tomada de decisões próprias, ameaças em relação a familiares. A exploração financeira, impedindo a pessoa de dispor e decidir sobre seus recursos.

Há ainda a exploração sexual com a negativa da mulher, recusa de prestar informações ou educação sexual, como o controle de natalidade, sexo indesejado, agressões, esterilização forçada. 

Para agravar esse quadro, a pessoa com deficiência tem maior dificuldade de acesso a serviços, assim como de obter uma intervenção policial, proteção jurídica e cuidados preventivos, haja vista os problemas de locomoção ou de comunicação. Isso permite que o autor dos maus tratos sempre exerça uma situação de poder em relação à vítima do abuso, com ameaça de morte ou violência se delatado ou mesmo desacreditar a vítima como testemunha.

No entanto, no Brasil, infelizmente, há uma negligência com relação ao assunto e dados de violência sofrida por pessoas com deficiência, evidenciando ainda mais a ausência de políticas públicas para o enfrentamento desse grave problema. Falta de vontade política na busca de uma solução, quase sempre associada a fatores sociais, culturais e econômicos, que vê a deficiência como um peso para a comunidade. 

Esse é um problema sistêmico que precisa ser escancarado e enfrentado de frente com alterações na própria sociedade, principalmente, reconhecendo como um grave problema social e, em certos casos, como crime. Os responsáveis pelos cuidados dessas pessoas devem estar capacitados para perceber e denunciar a violência. As pessoas com deficiência, por sua vez, precisam ser preparadas psicológica e fisicamente para enfrentar o autor da violência e denunciá-lo.


Emílio Figueira - Escritor

Por causa de uma asfixia durante o parto, Emílio Figueira adquiriu paralisia cerebral em 1969, ficando com sequelas na fala e movimentos. Nunca se deixou abater por sua deficiência motora e vive intensamente inúmeras possibilidades. Nas artes, no jornalismo, autor de uma vasta produção científica, é psicólogo, psicanalista, teólogo independente. Como escritor é dono de uma variada obra em livros impressos e digitais, passando de setenta títulos lançados. Hoje com cinco graduações e dois doutorados, Figueira foi professor e conferencista de pós-graduação, principalmente de temas que envolvem a Educação Inclusiva. Atualmente dedica-se a Escrever Roteiros e projetos audiovisuais.

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