Ex-morador da região com paralisia cria projeto gratuito de inclusão




O acervo vai abordar temas como inclusão social, escolar e psicologia das pessoas com deficiência
Renata Juliotti* – Hojemais Araçatuba – 23/06/19 às 11h00
(Foto: Giselle Bonhen / Divulgação )
A temática da inclusão social de pessoas com deficiência tem recebido mais atenção da sociedade nos últimos anos e condições que eram pouco discutidas, como a PC (paralisia cerebral), têm seu espaço. Até mesmo nas telas o tema tem sido debatido, como a série “Special” da Netflix, baseada nas memórias de Ryan O’Connell, que produz e é protagonista da obra.
Segundo a ABN (Associação Brasileira de Neurologia), hoje existem cerca de 17 milhões de pessoas com paralisia cerebral no País, condição que traz alterações neurológicas permanentes e que comprometem o desenvolvimento motor e/ou cognitivo do paciente.

Da ficção para a vida real, um ex-morador da região, que tem PC, mostra que não existem limitações para conquistar a realização profissional e pessoal. Emílio Figueira, 50 anos, é autor de mais de 70 livros e quase 700 textos científicos.
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Andradina e Araçatuba também são cidades importantes na trajetória do autor, que se deslocava para realizar estudos e terapias. Anos depois, se tornou correspondente de jornalismo em um antigo jornal de Araçatuba, onde conquistou seu registro como jornalista (MTB). Aos 19 anos, se mudou para Bauru para estudar e iniciar a carreira científica na USP (Universidade de São Paulo).Nascido em São Paulo e criado em uma chácara em Guaraçaí (SP), o escritor possui graduação em jornalismo, psicologia e teologia, cinco pós-graduações e dois doutorados em psicanálise e teologia, além de ministrar cursos on-line de forma gratuita. Foi em Guaraçaí que ele iniciou a carreira como jornalista, chegando a ser responsável por um jornal da cidade.
Plataforma
Agora, ele está lançando o Acervo Inclusivo Emílio Figueira, um site de reportagens, crônicas, artigos científicos, monografias e mais de vinte livros para download gratuitos, que entrará no ar em agosto deste ano. Figueira também é responsável por um site (www.emiliofigueira.com.br), onde já treinou mais de 23 mil professores por meio de cursos gratuitos, defendendo e instruindo sobre a educação inclusiva.
Desde os anos 80, Emílio tem militado nas questões das pessoas com deficiência, inclusão social e educação inclusiva, através de pesquisas e produção científica. Desse trabalho, nasceu a principal teoria inclusiva que o pesquisador defende, o estímulo na infância.
Preconceito
O autor relata que já sofreu preconceito por sua condição, mas nunca se deixou abater por isso. “Sou tão focado em meus objetivos e projetos, que nunca liguei para esses atos. Mesmo porque o fruto do preconceito é a desinformação e o meu papel é justamente levar conhecimento à sociedade. Como sempre digo, não podemos impedir os preconceitos, mas podemos criar novos conceitos para substitui-los”.
Apesar das limitações da fala e dos movimentos causados pela condição, Figueira explica que sempre arrumou um “jeitinho” para fazer as coisas. “Às vezes nós mesmos nos autolimitamos; eu tinha um celular comum e temia mudar para um mais moderno e não conseguir usar por ser touch. No meu aniversário, ganhei um smartphone e em poucas horas eu já estava fazendo tudo nele, até digitando textos. O celular hoje é meu computador de mão. O melhor caminho para vencer nossos medos é enfrentá-los”, completa.
*Com supervisão de Manu Zambon